sábado, 26 de setembro de 2009

Fabricante não informa a porcentagem do ativo nas Escovas Progressivas

Para transformar um cabelo crespo em liso, uma substância química deve alterar a estrutura do fio do cabelo. E não existe maneira delicada de fazer isso. Do contrário, seria possível despedaçar o vidro de uma janela, colar novamente todos os caquinhos e o vidro retornaria ao que era antes de ter sido quebrado.

Adulterar a forma natural do cabelo, sempre gera repercussões. Não importa se é usado condicionador ou não, a verdade é que o produto danifica a textura dos fios. É muito difícil saber de antemão o tamanho dos danos provocados no cabelo após um alisamento. A maneira mais simples é conferir a textura do fio do cabelo. Em cabelos muito finos, os alisamentos praticamente diluem os fios.

Se o agente químico, é algo tão forte a ponto de modificar a forma natural do cabelo, por um período de alguns meses (ou mesmo semanas), é sinal de que causará danos no cabelo.

Entre os diferentes produtos alisantes à venda, existem alguns mais delicados (e delicado aqui é muito relativo), que o outro.

A informação fornecida pelo fabricante no rótulo do produto, de que o alisante “não danifica o cabelo de maneira nenhuma”, é falsa. Porém, mulher sempre estará disposta a correr riscos para melhorar sua beleza.

Atendendo as denuncias feita por consumidores, o Instituto de Pesquisa Adolfo Lutz de São Paulo, no período de 2003 a 2007, avaliou 38 amostras de produtos alisantes de diferentes marcas e ativos, encaminhadas pela vigilância sanitária de São Paulo, PROCON e Instituto de Criminalística. Do total das 38 amostras, 20 foram reprovadas. Ou seja, 52% estavam em desacordo, por apresentarem teor de ativo acima do limite máximo permitido ou conterem formaldeído, somente permitido em cosmético como conservante ou para produtos destinados ao endurecimento das unhas.

A Resolução RDC nº 215, de 25 de julho de 2005, é a norma que estabelece a lista de substâncias permitidas e o limite máximo para cada ativo em suas formulações. Porém, mesmo que o fabricante obedeça a essa norma da ANVISA, em contrapartida a própria ANVISA não exige que o fabricante de cosmético informe ao consumidor, no rótulo do produto, o valor da porcentagem utilizada do ingrediente ativo.

Portanto, quando desejar fazer um alisamento, a saída mais sensata é encontrar um cabeleireiro experiente. Quem já fez muitas escovas progressivas, certamente conhece os efeitos dos produtos que utiliza.

Antes de fazer uma escova progressiva é bom estar ciente de que usar produtos químicos no cabelo tem prós e contras. As principais contra-indicações para fazer alisamentos são: gravidez, lesão no couro cabeludo e estar com algum tipo de tintura no cabelo. O cabelo pode ressecar, e algumas vezes, há queda de cabelo. A vantagem de fazer um alisamento é que o cabelo fica fácil de arrumar, e para quem não gosta do crespo natural do cabelo, a mudança no visual, valoriza a auto-estima.


(*) Ingredientes Ativos permitidos pela legislação e as suas respectivas porcentagens:

1 - Hidróxido de sódio
4,5% p/p


2 - Hidróxidos de Cálcio (guanidina)
7.0%


3 - Formaldeído
0,2% (Em vários estados a ANVISA já proibiu o uso dessa substância em cosméticos)

4 - Ácido Tioglicolato
11,0%

(*) Fonte:
Divisão de Bromatologia e Química.
Seção de Cosméticos e Produtos de Higiene. Instituto Adolfo Lutz – Central. Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (IAL/CCD/SES-SP). São Paulo.
Maria C. Santa Bárbara; Lígia L. Miyamaru


Ingredientes das escovas progressivas
encontradas no mercado para venda:


Cálcio Hydroxide - ativo com função de alisar o cabelo
e o valor da porcentagem não é escrito


Thiglicolic ácido - Também o valor da porcentagem não é escrito.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Mercado de Trabalho dos Profissionais de Beleza

A TV Record me ligou para dar uma entrevista falando sobre o mercado de trabalho dos profissionais de beleza,
Segundo a emissora, quando reportagens sobre o mercado de beleza são mostradas, recebem inúmeras ligações de esteticistas, reclamando que apesar de serem formadas, não conseguem emprego.

Um jornal de economia da Inglaterra - Ibtimes publicou (data de 15 set/2009) um artigo sobre o mercado de beleza no Brasil, (Beauty booms as Brazil consumers shrug off crisis).
O artigo faz um apanhado interessante sobre cosméticos e serviços de beleza no Brasil, concluindo que a crise econômica não foi capaz de espirrar na vaidade dos brasileiros.

A obsessão dos brasileiros por beleza, que vai desde depilar o corpo para ficar bonito e ir à praia, até se perfumar; foi responsável pelo crescimento de 27,5% da indústria cosmética no ano passado. O que significa uma cifra aproximada de 30 bilhões de reais sendo movimentada pela indústria da beleza (somente no ano de 2008) - dados do Euro monitor Internacional.

Então qual a razão da reclamação das esteticistas? Se o mercado do consumo de produtos e serviços de beleza cresce mais que a economia da China, deve haver algo errado nessas estatísticas?

Uma leitura dos fatos:

O mercado de trabalho para os profissionais de beleza está aquecido?
Sim e muito.

Então o que ocorre com as esteticistas?
São vários fatores. As esteticistas sofrem uma concorrência desleal de médicos dermatologistas e fisioterapeutas.
Vamos aos médicos. Não faz muito tempo que um médico dermatologista era treinado para tratar de doenças da pele, vitiligo, alergias etc. Hoje em seus consultórios, os dermatologistas, vendem antibióticos contra acnes e cremes contras rugas. Aliás, ruga virou o ganha pão do dermatologista. Sem contar os médicos esteticistas trabalhando com aparelhos de laser.

Eles estão errados? Difícil responder, se a preocupação dos seus pacientes é maior com relação às marcas de expressão que uma eventual doença na pele.

A população confia mais em um médico para amenizar rugas, que em esteticistas, isso é fato. Embora, em termos de resultado, o serviço de beleza oferecido por uma experiente e qualificada esteticista não é muito diferente do que é feito nos glamorosos consultórios, e ainda pesa menos no bolso do consumidor.

As fisioterapeutas invadiram literalmente o mercado das esteticistas. Não vou entrar nos detalhes dessa briga que roda o país inteiro.

Mas as fisio não podem negar a prática de corporativismo intenso.

"O Crefito 8 junto com um deputado estadual criou um Projeto de Lei Estadual (Paraná), exigindo a obrigatoriedade de um médico ou um fisioterapeuta, nos estabelecimentos de beleza onde fossem realizados trabalhos de estética.

A APEPR- Associação das Esteticistas do Estado do Paraná, junto com as Deputadas Elza Correa e Cida Borghetti em uma Audiência Pública, realizada no dia 18 de outubro de 2005, embargaram essa lei."


As esteticistas formadas e bem qualificadas de hoje são injustiçadas, pois carregam o ônus de erros cometidos no passado pela própria indústria da vaidade.

"O crescimento da demanda por serviços de beleza levou as empresas de cosméticos a partir de 1997 a oferecer treinamentos de como usar os seus produtos, para qualquer pessoa.
Os treinamentos proliferaram e um grande número de pessoas passou a se intitular esteticista, mesmo sem formação profissional."


"Mas é bom lembrar os exemplos de grandes profissionais antigas atuando ainda no mercado, que são verdadeiras mestras."

Veio a globalização, o mercado cresceu, surgiram máquinas, ácidos, mas surgiram também profissionais incompetentes. E as fisioterapeutas usam isso como marketing negativo, prejudicando muitas vezes a contratação de profissionais esteticistas.

Algumas escolas ficam a mercê de marcas de cosméticos. Não ensinam nada diferente dos passos ditados por especialistas em marketing de cosméticos: limpar, tonificar, hidratar, rejuvenescer, um produto após outro.

Poucos ousam pensar fora da caixinha, seguem o que a linha X ou Y, Z ordena. Dividem a pele das clientes somente em tipos de pele seca, oleosa, mista e sensível.

Será que uma pessoa não pode ter todos esses tipos de pele ao mesmo tempo?

"Porém, hoje existem exelentes cursos superiores e técnicos de estética, que não deixam nada a desejar para os outros cursos superiores."

Algumas sugestões para as esteticistas:

Versatilidade: aprender vários serviços, maquiar, design de sobrancelhas, depilação, e por que não manicure? Fazer parceria com a manicure e oferecer massagem nas mãos, nos pés, (reflexologia).

Fazer parte de uma associação de esteticistas. Afinal, foi dessa forma que as fisioterapeutas conquistaram espaço.

Informação objetiva sobre o que os cosméticos podem fazer pelos clientes e o que os cosméticos não são capazes de cumprir.

Persistência - receber não - faz parte da vida. Gostar da profissão.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Peptídeos – quase o elixir da juventude

Um médico dermatologista, no programa da Ana Maria Braga da TV Globo, diz que temos um estoque de células. A notícia triste que ele relata sobre essa afirmação óbvia é que: o estoque de células vai se deteriorando ao longo do tempo.

Em seguida ele dá a boa notícia: uma substância quase milagrosa usada claro, no cosmético que ele estava divulgando em primeira mão no programa, faz com que esse estoque de células não diminua, e melhor ainda, essa substância irá ajudar a manter o estoque de células intacto.

A substância maravilhosa em questão é o peptídeo.
Embora a eloqüente apresentação do médico induza as mulheres a acreditarem que o elixir da juventude foi encontrado, a explicação científica é uma história um pouco diferente.

Os peptídeos são fragmentos de proteínas, que por sua vez são longas correntes de aminoácidos. No corpo humano, a função dos peptídeos é regular a atividade de vários sistemas e interagir com as células.

As enzimas são encarregadas de quebrar as proteínas em peptídeos. Os peptídeos têm várias funções no corpo humano. Existem peptídeos com atividade hormonal, outros têm função imunológica. Os peptídeos que atuam como mensageiros biológicos, dizem às células como agir, reagir e o que fazer. Há peptídeos com capacidade até de curar ferimentos na pele, outros colaboram para a melhora de dermatites e eczemas.

Os peptídeos, quando aplicados na pele, teoricamente promovem a regeneração celular. Porém, justamente o benefício da regeneração celular, é de difícil comprovação científica, porque os peptídeos não podem penetrar na pele e ao mesmo tempo continuar estáveis, devido ao fato de serem muito hidrófilos (gostam da água).

Ironicamente, os peptídeos também podem se transformar em moléculas instáveis nas formulações a base de água. Sabe-se que praticamente 50% de toda a formulação cosmética é água. E para piorar ainda mais, os peptídeos são vulneráveis na presença das enzimas. Quando a pele absorve os peptídeos, as enzimas abundantes na pele quebram os peptídeos em moléculas tão pequenas, que o peptídeo pode perder todo o efeito regenerativo.

Entretanto, os pesquisadores examinaram diferentes tipos de peptídeos sintéticos em laboratório e observaram como eles entram na membrana viva das células. A descoberta mais interessante é que os peptídeos transportam ingredientes biologicamente ativos para as células. Alguns destes peptídeos evidenciam notável efeito antiinflamatório.

Foi observado também que é possível anexar componentes de ácidos graxos às correntes de peptídeos específicos. Esse processo permite com que os peptídeos superem as suas inerentes limitações. E aí sim, a absorção dos peptídeos na pele pode ocorrer bem como a estabilidade da molécula também se torna possível.

Os peptídeos projetados em laboratório parecem ter eficácia e os benefícios vão além da superfície da pele. Mas, a longo prazo, são necessárias pesquisas mais conclusiva para compreender melhor o que ocorre realmente com essas substâncias.
É razoável afirmar que no laboratório, a tecnologia aperfeiçoa e muito o peptídeo sintético. O lado interessante desse debate é que existem realmente mais opções de substâncias para serem usados em produtos cosméticos anti-rugas, que promovam a regeneração do tecido epitelial.

Os peptídeos exercem benefícios reais como ingredientes ativos em cosméticos, quando três critérios são considerados:

1.Os peptídeos devem ser estáveis em sua fórmula básica.
2.Ele precisa ser associado a um mensageiro biológico que realce a absorção do ingrediente na pele.
3.Eles devem alcançar os grupos de células alvos antes da divisão (ou quebra) do peptídeo.

Atingir esses objetivos não é tarefa fácil, mas os cientistas afirmam que estão próximos da descoberta do elixir da juventude.

Os peptídeos têm sim, um potencial significativo no reino dos ingredientes antienvelhecimento.

sábado, 29 de agosto de 2009

Parabéns Clinique e Epidrat

Quando encontro algo correto, faço questão de divulgar, embora não ganhe um centavo sequer por isso. Quem ganha milhões falando bem de cosméticos são modelos e celebridades.

Eu ganho dinheiro (não milhões) com a venda de meu livro.
Não ologio sempre, mas tento encontrar algo razoável nessa selva de promessas não cumpridas pelos produtos cosméticos.

É o caso do filtro solar Epidrat.

Há tempo recomendo esse produto para minhas clientes, e informei ao seu fabricante sobre isso.

Eles prontamente triplicaram o preço do produto. Apesar de minha indignação quanto ao preço, continuo indicando-o para minhas clientes.

Agora é a vez da Clinique.

Minha filha que já incorporou meus ensinamentos, ganhou uma amostra grátis de cremes hidratantes e tônicos da clinique, ela pegou as amostras, pois chamou sua atenção: os produtos não possuem fragrância, são "fragrance free".

Uau, isso é maravilhoso. Mais um produto para recomendar às minhas clientes.

Só espero que a Clinique não triplique o preço como fez a outra.

De qualquer forma, parabéns Clinique!

Preço de Venda de um Xampu – A verdade num mundo de ficção

Vender xampu em um pequeno salão gera renda extra, porém encontrar o preço de venda torna-se uma arte, quando informações cruciais são ignoradas.

Os fabricantes de cosméticos disponibilizam para venda três categorias de preços de xampus:
popular, médio e alto.

Os xampus de preço popular são vendidos nos supermercados.
Os de preços médios e altos são vendidos em lojas de cosméticos e salões de beleza.

O proprietário de um pequeno salão é convencido por um hábil vendedor de que “o caro é melhor”, acaba adquirindo xampus por preços elevados, sendo forçado depois a repassar o valor salgado aos seus clientes. A sua clientela quando percebe que o preço do xampu irá pesar no bolso, prefere comprá-los em supermercado.

O fato é que a diferença entre diversos xampus é muitas vezes somente o preço.

A formulação de um xampu caro e barato praticamente não muda.

Comparar formulação de xampu é o mesmo que comparar rosas vermelhas, amarelas, etc., no final elas são todas rosas. Algumas podem até ter fragrâncias mais suaves que outras.

Porém na hora de colocar na ponta do lápis a receita gerada pelo xampu caro vendido no pequeno salão, descobre-se que a matemática não foi generosa.

E aí Inês está morta, pois o hábil vendedor já faturou. Mirou no que não viu e acertou no que viu:
a ignorância do mercado.

Ou seja, rosas iguais, apenas de cores diferentes, são vendidas em três categorias de preço.

Preço de venda não pode ser baseado na emoção ou bem-estar do consumidor mas no tamanho do seu bolso.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Les Nouvelles Esthétique

Entrevista dada por e-mail para a Jornalista Fernanda Danneman
Revista “Les Nouvelles Esthétique” - Curitiba 6/9/2008.

LNE - Os médicos que vendem cosméticos são um fenômeno em crescimento? Sobretudo onde? Mas isso não seria contra a ética?

Lucia F. Em todo mundo. Porém isso é mais significativo nos Estados Unidos. No Brasil, a especialidade de dermatologia há 15 anos, não atraía o estudante de medicina.
Hoje a dermatologia está entre as especialidades mais concorridas. Do ponto de vista ético, espera-se do médico uma atitude imparcial com relação à medicação receitada. Vender uma linha cosmecêutica no consultório paga as despesas da clínica. Além disso, o paciente prefere gastar dinheiro com as rugas em volta dos olhos, do que com a vermelhidão de uma eventual psoríase.
O médico recebe o dinheiro do tratamento das rugas à vista. Porém para pagar o tratamento da psoríase, o paciente procura um convênio. Para alguns dermatologistas, é um verdadeiro desafio, balançar corretamente os dois mundos: assumir a prática mais comercial da profissão, ou a parte mais acadêmica.

LNE - Qual o perfil do bom dermatologista especializado em cosmetologia? Como não cair nas mãos de um profissional que, para ganhar dinheiro, convence os pacientes a fazer procedimentos que, na verdade, não são necessários?

Lucia F. Imparcialidade, conhecimento e experiência. Só existe uma maneira de resistir a um profissional antiético, muita informação e altas doses de auto-estima. A razão de eu escrever meu livro foi: mostrar ao consumidor que informação é um poder de barganha que ele tem nas mãos.

LNE - Cosméticos e cremes produzidos na Europa (e, portanto, direcionados a pessoas que vivem em climas diferentes do nosso, e com características físicas também diferentes) são indicados - ou ao menos, podem ter bons resultados entre as brasileiras?

Lucia F. A formulação dos cremes vendidos na Europa não é muito diferente dos cremes vendidos aqui. O fundamental é entender que a pele muda de acordo com as estações do ano. Na página 146: “tipo de pele não é estático, o que você vê hoje, pode não ver amanhã, nem no próximo mês ou talvez na próxima estação”. Para conseguir bons resultados é preciso encontrar um produto que funcione e se concentrar nisso.

LNE - Se as pesquisas não apontam nenhuma substância capaz de acabar com a celulite, como explicar o crescimento do mercado anticelulite? Emagrecer é o melhor remédio?

Lucia F. A possibilidade de um creme para celulite funcionar, é muito pequena. O fato é que nós mulheres, acreditamos nessa pequena possibilidade. E a indústria cosmética sabe explorar essa fraqueza feminina ao máximo.
Exercício físico, sim, é um bom remédio. As porcentagens de ingredientes antioxidantes nos cremes amenizam as rugas. Portanto, não é total desperdício usá-los, além de contribuírem para melhorar a aparência da pele.

LNE - Quais as maiores ilusões vendidas pela propaganda estética? (Massagens emagrecedoras, cremes que combatem a flacidez facial, xampus, com efeito, "chapinha"? Aparelhos estéticos milagrosos, etc.?

Lucia F. É complicado enumerar as vastas promessas das propagandas dos produtos cosméticos. Departamentos de marketing são pagos para serem eficientes e criativos. Massagem melhora a circulação do corpo, desincha. “Back massagem” faz um bem tremendo para cólicas menstruais, desde que o massagista conheça anatomia e possua um toque firme.
Não existe legitimidade científica em cremes para combater flacidez facial. O colágeno é uma molécula muito grande, incapaz de penetrar na pele, atravessar toda a epiderme ir até a derme e se juntar ao colágeno natural.
A criatividade dos marqueteiros é estupenda. Minha pesquisa é constante para encontrar argumentos e rebatê-los. Aparelho de laser nas mãos de um médico bem informado e experiente pode trazer ótimos resultados para manchas na pele, cicatriz de acne e até para as rugas.

LNE - No livro está escrito: “... apesar dos preços absurdos dos tratamentos estéticos e os resultados serem quase imperceptíveis..." Os tratamentos estéticos não funcionam? O que podemos esperar deles?

Lucia F. Tratamentos estéticos são coadjuvantes para o emagrecimento. Elaborados com massagens, máscaras de argilas etc., melhoram a aparência da pele e contribuem para nosso bem-estar. Porém sozinhos não fazem milagres, não quebram células de gordura, etc. O profissional ético pede para a cliente praticar uma atividade física.

LNE - Quais os cuidados que devemos adotar antes de pagar por um tratamento estético, seja ele facial corporal ou capilar?

Lucia F. Ser realista e não esperar milagres. O consumidor deve conhecer a formação do profissional de beleza que irá executar o serviço.

LNE - Aparelhos que prometem emagrecimento por meio de choques "quebrando as células gordurosas" não funcionam?

Lucia F. Nenhum aparelho quebra célula de gordura com choques, essa afirmação, além de não ter comprovação científica, não é indicada pela ANVISA.
Um princípio semelhante ao aparelho que quebra cálculos renais é encontrado aparelho chamado “ultrashape”. Por meio da emissão de ondas acústicas as células gordurosas vibram até romper-se. Mas é bom deixar claro: esse aparelho não é autorizado pela ANVISA.
O médico do hospital de clínicas de São Paulo, Dr. Marcio Mancini e o Dr. Raul Dias dos Santos do INCOR, são contra a utilização desse aparelho. Eles dizem: “O ultra-som não é seguro nem eficaz. Pode ocorrer o acúmulo de gordura no fígado, gerando a pancreatite e causar problemas para os pulmões”.

LNE - Então não existe creme que possa retardar o envelhecimento? Ou seja, tudo o que os cremes fazem é melhorar a aparência da pele desde que haja uso continuado. Isso, já não é uma grande coisa?

Lucia F. Creme nenhum retarda o envelhecimento da pele. Uma composição razoável de antioxidantes ajuda a reduzir os danos dos radicais livres bem como os danos do sol.
Mas não se sabe ao certo, qual a porcentagem adequada a ser utilizada, nem por quanto tempo o ingrediente atua na pele, 20 minutos, uma hora ou uma semana.
A revista americana Consumer Reports, publicou uma pesquisa, onde alguns cremes diminuíram em 10% as rugas na pele. Mas essa descoberta é quase imperceptível a olho nu. Para os pesquisadores é maravilhoso, porém, nós consumidores, desejamos 40%, 50% de melhora; espera-se que um creme reconstrua a pele por inteiro. Isso, infelizmente ainda não existe.

LNE - O que devemos considerar antes de escolher um creme? É perigoso escolher um creme ou ir ao dermatologista é essencial?

Lucia F. Conhecer seu tipo de pele, ler a lista de ingredientes antes de comprar um produto cosmético. O filtro solar deve ser o produto cosmético mais importante a ser adquirido. E ter em mente que nenhum ingrediente é milagroso, essa “verdade” não existe. Cânfora, mentol e as fragrâncias são os ingredientes mais problemáticos.
Informação antes de comprar cosmético e escolher um médico, é fundamental.

LNE - Se ninguém tem pele normal por muito tempo, isso significa que sempre devemos estar mudando os tratamentos (sabonetes, cremes e filtros)?

Lucia F. A meta dos fabricantes de cosméticos é fazer com que o consumidor alcance o estado da pele normal. A verdade é: uma considerável parcela de mulheres tem peles ótimas. Para limpar, hidratar, controlar oleosidade, existe produtos excelentes no mercado. O tratamento deve ser descartado quando não der resultado positivo ou irritar a pele.

LNE - Você diz no livro: "é preciso estar ciente de como a cosmética pode danificar a sua pele". Como isso ocorre?

Lucia F. Sim. A indústria danifica sua pele, devido a promessas impossíveis de serem cumpridas pelo produto. O consumidor quer fatos e não simplesmente exageros, ou seja, as promessas devem ser bancadas por benefício realizável.
Eu brigo com acnes desde a adolescência. Foi buscando informação que o problema foi atenuado. Se tivesse o conhecimento que tenho hoje, jamais teria usado cremes oleosos nem exposto a pele ao sol em exagero. Existem produtos bem formulados, mas também há muita porcaria.

LNE - Sono e filtro solar são as melhores armas contra as rugas? Qual o lugar do hidratante nesse ranking? E qual a maneira correta de escolher um filtro solar, ou seja, quais os fatores que devem ser considerados?

Lucia F. O envelhecimento é um processo muito complexo, os médicos sabem disso. O estresse, cigarro, maus hábitos alimentares, vida sedentária e os danos causados pelos raios solares, são os grandes vilões do envelhecimento.
O hidratante é designado para restituir os lipídios da pele. Pele oleosa já produz lipídios de sobra, não precisa de gordura extra contida na maioria dos cremes. Hidratante é indicado para peles secas e com rugas.
Um filtro solar precisa proteger a pele contra os raios UVA e UVB. O número do FPS (Fator de Proteção Solar) escrito no rótulo do produto é a garantia contra os raios UVB. Porém FPS é só parte da história. Não há nenhuma indicação nos rótulos sobre como é feita a proteção dos raios UVA. E são esses raios que destroem o colágeno e causam câncer. A única saída então é ler a lista de ingredientes. Os ingredientes eficientes contra UVA são: Avobenzeno, dióxido de titânio e óxido de zinco. Isso está muito bem explicado na página 80 e 81 do livro.

LNE - Já que não existem produtos totalmente livres de causar reações alérgicas, como podemos nos precaver?

Lucia F. Experimentando o produto. Não há outra maneira. Os mais problemáticos são cânfora, mentol e as fragrâncias Os tipos de álcool isopropílico e álcool etílico também irritam a pele. Se um produto cosmético causar alergia, a atitude correta é evitá-lo.

LNE - No caso dos óleos essenciais?

Lucia F. Algumas fragrâncias espalhadas na pele causam muita irritação, é fato, não há o que discutir. Os aromas podem proporcionar bem-estar e serem bons para olfato, mas para a pele causam problemas. O óleo para massagem não deve irritar. E a fragrância deveria apenas perfumar o ambiente e não a pele.

LNE - Ao ler seu livro, fiquei com a idéia de que "produto natural", na verdade, é um perigo. Você poderia explicar melhor se vale ou não a pena apostar neles?

Lucia F. O termo Produto Natural é uma associação feita ao movimento Green. É uma estratégia de marketing usada pela indústria cosmética.
A primeira empresária do ramo a vislumbrar o capitalismo verde, muito antes que se tornasse uma febre, foi Anita Roddick da Body Shop (inglesa), na década de 70.
Os extratos das plantas eram comprados diretamente dos produtores de países de terceiro mundo.

Sua fórmula era supostamente ética, devido ao fato dos cosméticos não serem testados em animais. Os produtos da Body Shop foram empacotados e promovidos de forma inteligente, para emitir às mulheres uma mensagem de frescor: “nada lhe trará de volta a juventude, mas esses produtos dão a sensação de pureza a respeito de si mesma”. Hoje, os fabricantes de cosméticos já bem estabelecidos no mercado, apenas imitam essa estratégia. A Body Shop chegou a ter 2.000 lojas em 53 países e foi vendida para a L’oréal por (US $1.1 bilhão).

Cosmético Natural significa incluir extratos de planta na formulação do produto juntamente com uma enorme lista de ingredientes sintéticos. Quando um extrato de planta é adicionado na formulação cosmética, é preservado e estabilizado, isso faz com que ele perca quase todas as suas características naturais. Poucos ingredientes naturais possuem comprovação científica sobre os benefícios para a pele. Porém, o termo está sacramentado pelo mercado, vale à pena apostar naqueles que possuem comprovação.

LNE - Qual é o maior perigo para os cabelos: os produtos químicos ou os profissionais que os manuseiam? E por quê?

Lucia F. Todo produto químico prejudica o cabelo, resseca, queima, alguns danificam o couro cabeludo. Isso é fato. O que faz com que esses problemas sejam amenizados é o Know-How do profissional. Sua experiência e o conhecimento, tanto sobre a estrutura do fio do cabelo, como a formulação química do produto e os seus efeitos no cabelo. O perigo pode estar num profissional mal treinado quando ele alterar as formulações dos produtos sem ter noção de química. O cliente pode ficar careca e ter problemas sérios de irritação no couro cabeludo.

LNE - Abrir um salão no Brasil não é tarefa difícil, mas crescer, sim. O que é fundamental, hoje em dia, para fazer o negócio crescer? A realidade do mercado brasileiro é próxima ou distante do americano e europeu? Você poderia traçar um paralelo?

Lucia F. No Brasil, ainda não brigamos pelo cliente como deveríamos. Nos Estados Unidos e Europa a competição é super acirrada, cada cliente vale ouro. Além de um bom serviço, é dado mais ênfase na venda de produtos no salão e o cliente é mais bem informado. Num cenário assim, o Know-How do profissional é valorizado.

Mas, verdade seja dita, nós também temos profissionais talentosos. A qualidade na prestação dos serviços em alguns salões de Curitiba, São Paulo, Rio e Porto Alegre, não perdem para o mercado Europeu e Americano. Porém, em algumas cidades brasileiras, os serviços deixam a desejar, devido ao treinamento ruim que o profissional de beleza recebe.

Telefonista e manicure são os profissionais que o cliente faz o primeiro contato em um salão. Porém uma pesquisa feita por uma escola de Curitiba revelou que 60% dos problemas nos salões eram as telefonistas mal-treinadas. A esterilização dos alicates de cortar cutículas, ainda não é hábito para muitas manicures.

LNE - O que se deve esperar de um profissional de beleza hoje em dia, em termos de capacitação, especialização e etc.? Onde está o melhor do mercado brasileiro? Quais conselhos você daria a quem já esteja no ramo ou queira entrar?

Lucia F. A diferença entre o cabeleireiro que arruma o cabelo da atriz da novela da TV Globo no Rio de Janeiro e o cabeleireiro de qualquer outra cidade brasileira é: conhecimento, treinamento e experiência. Tanto um como o outro não usa tesoura ou xampu diferentes. Mas o estilo de corte de cabelo que aparece na novela é repetido nas ruas. Sem dúvida, o melhor mercado está no Rio de Janeiro e São Paulo.
Conselho: Teoria e prática ensinadas na escola são somente o sumário de um livro. O conteúdo aprende-se trabalhando, pondo a mão na massa.
Detalhe: no livro chamado aprendizado, as páginas nunca terminam.

Lucia Fagundes

MITO ou VERDADE?

Seguir algumas regras antes de comprar xampus, condicionadores, etc., ajuda economizar dinheiro e evita frustração.

Porém é preciso derrubar alguns mitos:

1 – Algumas empresas alegam possuír Ingredientes Secretos na formulação do xampu.

- MITO

• Nenhuma empresa de cosmético possui fórmula misteriosa. Existem quatro grandes laboratórios fornecedores mundiais de matéria prima para fabricar xampu. Esses ingredientes estão disponíveis para toda empresa de cosmético.

• É exigência da ANVISA mostrar os ingredientes no rótulo.

• Além do mais, comparando as listas de ingredientes de várias marcas de xampus, é fácil observar que praticamente não existem diferenças.

• Não importa a quantidade dos ingredientes extravagantes usados na formulação de um xampu caro, eles sempre acabam sendo retirados na hora de lavar ou escovar o cabelo.

2 – Comprando o xampu que a modelo mostra no comercial da TV, meu cabelo ficará igual ao dela!
– MITO

•Quando o cabelo magnífico de uma modelo é mostrado em anúncios de revistas ou TV, toda aquela beleza nunca é resultado apenas do xampu que ela usa.

•Na verdade, a genética foi generosa com a modelo, lhe dando um cabelo esplêndido.

•Sem contar às horas que ela passou nas mãos de um talentoso e experiente cabeleireiro. Iluminação do estúdio perfeita, excelente fotógrafo e muito, mas muito tratamento digital. Tudo isso é feito antes que a propaganda venha a público.

•O que faz a grande diferença é o estilo correto de corte, tintura ou "hair styling" no cabelo. Aprender a técnica da escova certa para o cabelo é mais importante que gastar fortunas em produtos.

3 - Xampu faz cabelo crescer.

– MITO

Não existe xampu capaz de fazer o cabelo crescer.
Um produto chamado Regaine, é vendido contra calvície, porém é agente farmacêutico (remédio) e deve ser receitado por médicos. Esse medicamento pode também apresentar inúmeros efeitos colaterais.

4 - Deve-se mudar a marca do xampu a cada 3 meses.

MITO -

O cabelo e o couro cabeludo não se adaptam a nenhum xampu. Cabelo é uma estrutura morta, e coisa morta não se adapta a nada.

VERDADE –

Excesso de condicionador, emoliente, com o passar do tempo pode congestionar os fios. O acúmulo desses ingredientes nos fios do cabelo são facilmente retirados lavando o cabelo com um xampu de marca diferente do condicionador.