quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Excesso de Creme Causa Acne

O programa fantástico da TV Globo no último domingo (04/10/09) fez uma reportagem sobre mulheres com acnes, causadas pelo uso excessivo de cremes.

O fato é que anúncios de TV, rádio, jornal, revistas, profissionais de estética e médicos da beleza insistem em dizer que nas rotinas de cuidados com a pele, todo simples mortal deve usar cremes hidratantes, e o pior, bastante.

As informações sobre cremes hidratantes são freqüentemente mal entendidas e deturpadas. O único tipo de pele que realmente necessita de hidratante é a pele seca. Depois a pele com ruga. Porém se a pele com ruga for oleosa, o uso do hidratante pode causar acnes.

Embora as propagandas preguem o contrário, em cosméticos nem tudo é cor-de-rosa. O fato é que os hidratantes são terríveis paras as peles oleosas. Os hidratantes contêm em sua formulação, substâncias imitando os lipídios naturais da pele. Em contato com a pele, essas substâncias gordurosas estimulam mais produção de óleo. E a última coisa que uma pele oleosa precisa é adicionar mais óleo ao que ela já produz em excesso.

A pessoa imagina que está hidratando a pele, ou atenuando as rugas. Na verdade, não obtém nenhum dos benefícios. Infelizmente, adquire mais acnes. Inclusive uma das mulheres entrevistadas pela reportagem, afirma que nunca teve problemas de acne durante sua adolescência.

Por isso vou repetir inúmeras vezes: primeiro você terá que deixar de lado toda persistente e patente informação incorreta referente a acnes. Depois avaliar todas as opções, e se concentrar naquilo que dá certo para seu tipo específico de pele. Senão, acaba arranjando mais problemas de pele.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Entrevista ao Patrick Diener

Acredito que fiz uma injustiça, esse jornalista me entrevistou e não mencionei no blog.

Antes tarde que nunca, aí vai o link:

http://videolog.uol.com.br/video.php?id=365427

Não trabalha em nenhum canal glamuroso, mas faz um ótimo trabalho.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Um Dedicado Leitor

De um querido e dedicado leitor recebo:

Oi Lucia,

Meu nome é Henrique, e ao pesquisar se tinha alguma comunidade do seu livro, encontrei seu perfil. Quero lhe dizer que seu livro me ajudou e muito.

Durante anos deixei de comprar roupa, calçados, livros só pra comprar cosméticos.

Já usei todas as marcas, das mais baratinhas as mais caras. E nenhuma cumpriu o que prometia.

Acho que seu livro deveria ser mais divulgado em programas de TV. Bota uma boa assessoria pra fazer isso. Uma assessoria que ligue, envie e-mails pra todas as produções de programas de TV. Eu faço minha parte indicando pros meus colegas de trabalho. Seu blog está entre os meus favoritos, mesmo não sendo muito atualizado.
graças a você não gasto o que gastava antigamente.

Beijos,
Henrique


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Henrique,

Parabéns pela leitura e obrigada pelo estímulo positivo.
Você tem razão, o livro, as informações objetivas que escrevi no blog sobre cosmétcos, deveriam ser mais divulgados sim.

Estou fazendo uma revolução sem muito alarde, pode ter certeza.

Mencionei no livro que a Nivea estava usando cânfora na formulação do bloqueador solar.
Dia desses li o rótulo dos novos lançamentos deles, e adivinha?
Tiraram a cânfora, pelo menos de alguns.

O preço de um filtro solar foi triplicado, pelo fato de ter indicado o produto no livro e falar bem dele.

Informei à uma empresa o uso substâncias com suspeitas cancerígenas na formulação dos seus produtos. Mandei as conclusões de pesquisadores americanos. Ao menos em alguns produtos, as referidas substâncias foram retiradas.

Prometo atualizar mais o bog.

Um abraço.
Lucia

sábado, 26 de setembro de 2009

Filtro Solar em Forma de Sabonete

O FDA (Food Drugs and Administration) proibiu as empresas cosméticas americanas de escrever no rótulo de um filtro solar as frases:
"não sai na água".

Segundo o FDA, toda vez que a pessoa entra na água, o filtro solar que está na sua pele é retirado.

Mas aqui em nosso país, um professor de cosmetologia lançou um sabonete com protetor solar.

Eu pergunto: os ingredientes desse sabonete, responsáveis em proteger a pele do sol, não saem na hora de lavar a pele?

Mandei e-mail ao professor. Nenhuma resposta.

Pseudociência

Muitas linhas cosméticas publicam informações sobre ingredientes ativos usados nas suas formulações. E intitula esse amontoado de informação como artigo científico.

O artigo inicia falando sobre ciência básica, com a intenção de prender a atenção do consumidor por alguns minutos. Em seguida o texto vai se transformando em um verdadeiro imbróglio científico. E o consumidor acaba não entendendo direito, mas imagina que o ignorante é ele e jamais o autor do texto.

O objetivo de todo o palavreado inútil é justamente prender a atenção, depois confundir.

A grande maioria das informações sobre substâncias usadas nos cosméticos são feitas em uma linguagem incompreensível, recheada de termos técnicos sem significado científico nenhum. Alguns termos simplesmente não existem. Porém, passa ao consumidor a impressão de possuir comprovação científica.

A marca do cosmético é sutilmente citada e junto, alguns problemas de pele. E obviamente esses problemas desaparecem após a utilização do produto.

Pseudociência é uma estratégia muito usada para divulgar cosméticos. Junto com informação imprecisa, a intenção principal é vender produtos cosméticos. Muitos produtos raramente resolvem os problemas de pele e causam mais distúrbios na pele ainda.

Existem pesquisas a respeito de produtos cosméticos. E quando o artigo é publicado, o autor, quer credibilidade ao trabalho. Um artigo científico correto esclarece, não confunde.

Fabricante não informa a porcentagem do ativo nas Escovas Progressivas

Para transformar um cabelo crespo em liso, uma substância química deve alterar a estrutura do fio do cabelo. E não existe maneira delicada de fazer isso. Do contrário, seria possível despedaçar o vidro de uma janela, colar novamente todos os caquinhos e o vidro retornaria ao que era antes de ter sido quebrado.

Adulterar a forma natural do cabelo, sempre gera repercussões. Não importa se é usado condicionador ou não, a verdade é que o produto danifica a textura dos fios. É muito difícil saber de antemão o tamanho dos danos provocados no cabelo após um alisamento. A maneira mais simples é conferir a textura do fio do cabelo. Em cabelos muito finos, os alisamentos praticamente diluem os fios.

Se o agente químico, é algo tão forte a ponto de modificar a forma natural do cabelo, por um período de alguns meses (ou mesmo semanas), é sinal de que causará danos no cabelo.

Entre os diferentes produtos alisantes à venda, existem alguns mais delicados (e delicado aqui é muito relativo), que o outro.

A informação fornecida pelo fabricante no rótulo do produto, de que o alisante “não danifica o cabelo de maneira nenhuma”, é falsa. Porém, mulher sempre estará disposta a correr riscos para melhorar sua beleza.

Atendendo as denuncias feita por consumidores, o Instituto de Pesquisa Adolfo Lutz de São Paulo, no período de 2003 a 2007, avaliou 38 amostras de produtos alisantes de diferentes marcas e ativos, encaminhadas pela vigilância sanitária de São Paulo, PROCON e Instituto de Criminalística. Do total das 38 amostras, 20 foram reprovadas. Ou seja, 52% estavam em desacordo, por apresentarem teor de ativo acima do limite máximo permitido ou conterem formaldeído, somente permitido em cosmético como conservante ou para produtos destinados ao endurecimento das unhas.

A Resolução RDC nº 215, de 25 de julho de 2005, é a norma que estabelece a lista de substâncias permitidas e o limite máximo para cada ativo em suas formulações. Porém, mesmo que o fabricante obedeça a essa norma da ANVISA, em contrapartida a própria ANVISA não exige que o fabricante de cosmético informe ao consumidor, no rótulo do produto, o valor da porcentagem utilizada do ingrediente ativo.

Portanto, quando desejar fazer um alisamento, a saída mais sensata é encontrar um cabeleireiro experiente. Quem já fez muitas escovas progressivas, certamente conhece os efeitos dos produtos que utiliza.

Antes de fazer uma escova progressiva é bom estar ciente de que usar produtos químicos no cabelo tem prós e contras. As principais contra-indicações para fazer alisamentos são: gravidez, lesão no couro cabeludo e estar com algum tipo de tintura no cabelo. O cabelo pode ressecar, e algumas vezes, há queda de cabelo. A vantagem de fazer um alisamento é que o cabelo fica fácil de arrumar, e para quem não gosta do crespo natural do cabelo, a mudança no visual, valoriza a auto-estima.


(*) Ingredientes Ativos permitidos pela legislação e as suas respectivas porcentagens:

1 - Hidróxido de sódio
4,5% p/p


2 - Hidróxidos de Cálcio (guanidina)
7.0%


3 - Formaldeído
0,2% (Em vários estados a ANVISA já proibiu o uso dessa substância em cosméticos)

4 - Ácido Tioglicolato
11,0%

(*) Fonte:
Divisão de Bromatologia e Química.
Seção de Cosméticos e Produtos de Higiene. Instituto Adolfo Lutz – Central. Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (IAL/CCD/SES-SP). São Paulo.
Maria C. Santa Bárbara; Lígia L. Miyamaru


Ingredientes das escovas progressivas
encontradas no mercado para venda:


Cálcio Hydroxide - ativo com função de alisar o cabelo
e o valor da porcentagem não é escrito


Thiglicolic ácido - Também o valor da porcentagem não é escrito.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Mercado de Trabalho dos Profissionais de Beleza

A TV Record me ligou para dar uma entrevista falando sobre o mercado de trabalho dos profissionais de beleza,
Segundo a emissora, quando reportagens sobre o mercado de beleza são mostradas, recebem inúmeras ligações de esteticistas, reclamando que apesar de serem formadas, não conseguem emprego.

Um jornal de economia da Inglaterra - Ibtimes publicou (data de 15 set/2009) um artigo sobre o mercado de beleza no Brasil, (Beauty booms as Brazil consumers shrug off crisis).
O artigo faz um apanhado interessante sobre cosméticos e serviços de beleza no Brasil, concluindo que a crise econômica não foi capaz de espirrar na vaidade dos brasileiros.

A obsessão dos brasileiros por beleza, que vai desde depilar o corpo para ficar bonito e ir à praia, até se perfumar; foi responsável pelo crescimento de 27,5% da indústria cosmética no ano passado. O que significa uma cifra aproximada de 30 bilhões de reais sendo movimentada pela indústria da beleza (somente no ano de 2008) - dados do Euro monitor Internacional.

Então qual a razão da reclamação das esteticistas? Se o mercado do consumo de produtos e serviços de beleza cresce mais que a economia da China, deve haver algo errado nessas estatísticas?

Uma leitura dos fatos:

O mercado de trabalho para os profissionais de beleza está aquecido?
Sim e muito.

Então o que ocorre com as esteticistas?
São vários fatores. As esteticistas sofrem uma concorrência desleal de médicos dermatologistas e fisioterapeutas.
Vamos aos médicos. Não faz muito tempo que um médico dermatologista era treinado para tratar de doenças da pele, vitiligo, alergias etc. Hoje em seus consultórios, os dermatologistas, vendem antibióticos contra acnes e cremes contras rugas. Aliás, ruga virou o ganha pão do dermatologista. Sem contar os médicos esteticistas trabalhando com aparelhos de laser.

Eles estão errados? Difícil responder, se a preocupação dos seus pacientes é maior com relação às marcas de expressão que uma eventual doença na pele.

A população confia mais em um médico para amenizar rugas, que em esteticistas, isso é fato. Embora, em termos de resultado, o serviço de beleza oferecido por uma experiente e qualificada esteticista não é muito diferente do que é feito nos glamorosos consultórios, e ainda pesa menos no bolso do consumidor.

As fisioterapeutas invadiram literalmente o mercado das esteticistas. Não vou entrar nos detalhes dessa briga que roda o país inteiro.

Mas as fisio não podem negar a prática de corporativismo intenso.

"O Crefito 8 junto com um deputado estadual criou um Projeto de Lei Estadual (Paraná), exigindo a obrigatoriedade de um médico ou um fisioterapeuta, nos estabelecimentos de beleza onde fossem realizados trabalhos de estética.

A APEPR- Associação das Esteticistas do Estado do Paraná, junto com as Deputadas Elza Correa e Cida Borghetti em uma Audiência Pública, realizada no dia 18 de outubro de 2005, embargaram essa lei."


As esteticistas formadas e bem qualificadas de hoje são injustiçadas, pois carregam o ônus de erros cometidos no passado pela própria indústria da vaidade.

"O crescimento da demanda por serviços de beleza levou as empresas de cosméticos a partir de 1997 a oferecer treinamentos de como usar os seus produtos, para qualquer pessoa.
Os treinamentos proliferaram e um grande número de pessoas passou a se intitular esteticista, mesmo sem formação profissional."


"Mas é bom lembrar os exemplos de grandes profissionais antigas atuando ainda no mercado, que são verdadeiras mestras."

Veio a globalização, o mercado cresceu, surgiram máquinas, ácidos, mas surgiram também profissionais incompetentes. E as fisioterapeutas usam isso como marketing negativo, prejudicando muitas vezes a contratação de profissionais esteticistas.

Algumas escolas ficam a mercê de marcas de cosméticos. Não ensinam nada diferente dos passos ditados por especialistas em marketing de cosméticos: limpar, tonificar, hidratar, rejuvenescer, um produto após outro.

Poucos ousam pensar fora da caixinha, seguem o que a linha X ou Y, Z ordena. Dividem a pele das clientes somente em tipos de pele seca, oleosa, mista e sensível.

Será que uma pessoa não pode ter todos esses tipos de pele ao mesmo tempo?

"Porém, hoje existem exelentes cursos superiores e técnicos de estética, que não deixam nada a desejar para os outros cursos superiores."

Algumas sugestões para as esteticistas:

Versatilidade: aprender vários serviços, maquiar, design de sobrancelhas, depilação, e por que não manicure? Fazer parceria com a manicure e oferecer massagem nas mãos, nos pés, (reflexologia).

Fazer parte de uma associação de esteticistas. Afinal, foi dessa forma que as fisioterapeutas conquistaram espaço.

Informação objetiva sobre o que os cosméticos podem fazer pelos clientes e o que os cosméticos não são capazes de cumprir.

Persistência - receber não - faz parte da vida. Gostar da profissão.