quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Não Existe Milagre

A Revista Veja na medida do possível é uma das poucas revistas que procura ser imparcial. No que tange a cosméticos, teve um ato de coragem em publicar (edição 07/10/09), uma reportagem sobre a opinião do dono da fabricante Clarins, o francês Christian Courtin-Clarins. Ele abre o jogo e diz: "Não há milagres nesse negócio". Digo ato de coragem, pois a revista freqüentemente reserva páginas inteiras aos anunciantes de cosméticos.

Costumo dizer que as reportagens publicadas nas revistas, sobre cremes, possuem pouca ou nenhuma objetividade. Essa é uma daquelas reportagens que vai direto ao ponto. Um dos motivos é puramente econômico. Monsieur Clarins afirma que o faturamento de sua marca nos Estados Unidos diminuiu 5%. Então, viramos o olhar para a América Latina.

Já usei Clarins. Meu marido ficava assustado com o preço dos cremes. Aliás, foi uma das marcas que mais causou acnes na minha pele. Na época, não tinha as informações que possuo hoje. Achava o máximo, enfim num momento da minha vida, poder comprar Clarins. O melhor produto da Clarins que usei, foi o creme para as mãos. Os hidratantes da Clarins são oleosos demais. Porém, existem produtos dessa marca, com ingredientes que não irritam a pele e com função antiinflamatória.

Falava da razão econômica. O valor do faturamento anual da indústria cosmética nos Estados Unidos é aproximadamente 45 bilhões de dólares. É algo considerável, o encolhimento de 5% da Clarins por lá. Levando em conta que a indústria cosmética, no Brasil, pode se aproximar das cifras americanas, nosso mercado sem dúvida, é atraente para a Clarins.
Segundo Monsieur Clarins, a indústria cosmética vive hoje um impasse: “precisamos aprender mais sobre a quantidade de ingredientes cosméticos que caem na corrente sangüínea, quando é utilizada a técnica da nanotecnologia”.

Eu diria que o impasse também está no fato de o consumidor das marcas caras por aqui, estar meio desconfiado. O leitor da Veja, imagino que andava sedento de informações objetivas sobre cosméticos. Pois bem, se o consumidor quer objetividade, então transmitimos objetividade a ele. Essa é uma das mensagens nas entrelinhas da opinião do Monsieur Clarins.

De qualquer forma a introdução de mais produtos da Clarins por aqui é positiva, teremos mais opções de produtos cosméticos. A Clarins é uma das linhas mais extensas que existe. São inúmeros produtos. Eles possuem produtos para tudo que é tipo de problema de pele. Mas, segundo Monsieur Clarins categoricamente afirma: não fazem milagres.

Excesso de Creme Causa Acne

O programa fantástico da TV Globo no último domingo (04/10/09) fez uma reportagem sobre mulheres com acnes, causadas pelo uso excessivo de cremes.

O fato é que anúncios de TV, rádio, jornal, revistas, profissionais de estética e médicos da beleza insistem em dizer que nas rotinas de cuidados com a pele, todo simples mortal deve usar cremes hidratantes, e o pior, bastante.

As informações sobre cremes hidratantes são freqüentemente mal entendidas e deturpadas. O único tipo de pele que realmente necessita de hidratante é a pele seca. Depois a pele com ruga. Porém se a pele com ruga for oleosa, o uso do hidratante pode causar acnes.

Embora as propagandas preguem o contrário, em cosméticos nem tudo é cor-de-rosa. O fato é que os hidratantes são terríveis paras as peles oleosas. Os hidratantes contêm em sua formulação, substâncias imitando os lipídios naturais da pele. Em contato com a pele, essas substâncias gordurosas estimulam mais produção de óleo. E a última coisa que uma pele oleosa precisa é adicionar mais óleo ao que ela já produz em excesso.

A pessoa imagina que está hidratando a pele, ou atenuando as rugas. Na verdade, não obtém nenhum dos benefícios. Infelizmente, adquire mais acnes. Inclusive uma das mulheres entrevistadas pela reportagem, afirma que nunca teve problemas de acne durante sua adolescência.

Por isso vou repetir inúmeras vezes: primeiro você terá que deixar de lado toda persistente e patente informação incorreta referente a acnes. Depois avaliar todas as opções, e se concentrar naquilo que dá certo para seu tipo específico de pele. Senão, acaba arranjando mais problemas de pele.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Entrevista ao Patrick Diener

Acredito que fiz uma injustiça, esse jornalista me entrevistou e não mencionei no blog.

Antes tarde que nunca, aí vai o link:

http://videolog.uol.com.br/video.php?id=365427

Não trabalha em nenhum canal glamuroso, mas faz um ótimo trabalho.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Um Dedicado Leitor

De um querido e dedicado leitor recebo:

Oi Lucia,

Meu nome é Henrique, e ao pesquisar se tinha alguma comunidade do seu livro, encontrei seu perfil. Quero lhe dizer que seu livro me ajudou e muito.

Durante anos deixei de comprar roupa, calçados, livros só pra comprar cosméticos.

Já usei todas as marcas, das mais baratinhas as mais caras. E nenhuma cumpriu o que prometia.

Acho que seu livro deveria ser mais divulgado em programas de TV. Bota uma boa assessoria pra fazer isso. Uma assessoria que ligue, envie e-mails pra todas as produções de programas de TV. Eu faço minha parte indicando pros meus colegas de trabalho. Seu blog está entre os meus favoritos, mesmo não sendo muito atualizado.
graças a você não gasto o que gastava antigamente.

Beijos,
Henrique


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Henrique,

Parabéns pela leitura e obrigada pelo estímulo positivo.
Você tem razão, o livro, as informações objetivas que escrevi no blog sobre cosmétcos, deveriam ser mais divulgados sim.

Estou fazendo uma revolução sem muito alarde, pode ter certeza.

Mencionei no livro que a Nivea estava usando cânfora na formulação do bloqueador solar.
Dia desses li o rótulo dos novos lançamentos deles, e adivinha?
Tiraram a cânfora, pelo menos de alguns.

O preço de um filtro solar foi triplicado, pelo fato de ter indicado o produto no livro e falar bem dele.

Informei à uma empresa o uso substâncias com suspeitas cancerígenas na formulação dos seus produtos. Mandei as conclusões de pesquisadores americanos. Ao menos em alguns produtos, as referidas substâncias foram retiradas.

Prometo atualizar mais o bog.

Um abraço.
Lucia

sábado, 26 de setembro de 2009

Filtro Solar em Forma de Sabonete

O FDA (Food Drugs and Administration) proibiu as empresas cosméticas americanas de escrever no rótulo de um filtro solar as frases:
"não sai na água".

Segundo o FDA, toda vez que a pessoa entra na água, o filtro solar que está na sua pele é retirado.

Mas aqui em nosso país, um professor de cosmetologia lançou um sabonete com protetor solar.

Eu pergunto: os ingredientes desse sabonete, responsáveis em proteger a pele do sol, não saem na hora de lavar a pele?

Mandei e-mail ao professor. Nenhuma resposta.

Pseudociência

Muitas linhas cosméticas publicam informações sobre ingredientes ativos usados nas suas formulações. E intitula esse amontoado de informação como artigo científico.

O artigo inicia falando sobre ciência básica, com a intenção de prender a atenção do consumidor por alguns minutos. Em seguida o texto vai se transformando em um verdadeiro imbróglio científico. E o consumidor acaba não entendendo direito, mas imagina que o ignorante é ele e jamais o autor do texto.

O objetivo de todo o palavreado inútil é justamente prender a atenção, depois confundir.

A grande maioria das informações sobre substâncias usadas nos cosméticos são feitas em uma linguagem incompreensível, recheada de termos técnicos sem significado científico nenhum. Alguns termos simplesmente não existem. Porém, passa ao consumidor a impressão de possuir comprovação científica.

A marca do cosmético é sutilmente citada e junto, alguns problemas de pele. E obviamente esses problemas desaparecem após a utilização do produto.

Pseudociência é uma estratégia muito usada para divulgar cosméticos. Junto com informação imprecisa, a intenção principal é vender produtos cosméticos. Muitos produtos raramente resolvem os problemas de pele e causam mais distúrbios na pele ainda.

Existem pesquisas a respeito de produtos cosméticos. E quando o artigo é publicado, o autor, quer credibilidade ao trabalho. Um artigo científico correto esclarece, não confunde.

Fabricante não informa a porcentagem do ativo nas Escovas Progressivas

Para transformar um cabelo crespo em liso, uma substância química deve alterar a estrutura do fio do cabelo. E não existe maneira delicada de fazer isso. Do contrário, seria possível despedaçar o vidro de uma janela, colar novamente todos os caquinhos e o vidro retornaria ao que era antes de ter sido quebrado.

Adulterar a forma natural do cabelo, sempre gera repercussões. Não importa se é usado condicionador ou não, a verdade é que o produto danifica a textura dos fios. É muito difícil saber de antemão o tamanho dos danos provocados no cabelo após um alisamento. A maneira mais simples é conferir a textura do fio do cabelo. Em cabelos muito finos, os alisamentos praticamente diluem os fios.

Se o agente químico, é algo tão forte a ponto de modificar a forma natural do cabelo, por um período de alguns meses (ou mesmo semanas), é sinal de que causará danos no cabelo.

Entre os diferentes produtos alisantes à venda, existem alguns mais delicados (e delicado aqui é muito relativo), que o outro.

A informação fornecida pelo fabricante no rótulo do produto, de que o alisante “não danifica o cabelo de maneira nenhuma”, é falsa. Porém, mulher sempre estará disposta a correr riscos para melhorar sua beleza.

Atendendo as denuncias feita por consumidores, o Instituto de Pesquisa Adolfo Lutz de São Paulo, no período de 2003 a 2007, avaliou 38 amostras de produtos alisantes de diferentes marcas e ativos, encaminhadas pela vigilância sanitária de São Paulo, PROCON e Instituto de Criminalística. Do total das 38 amostras, 20 foram reprovadas. Ou seja, 52% estavam em desacordo, por apresentarem teor de ativo acima do limite máximo permitido ou conterem formaldeído, somente permitido em cosmético como conservante ou para produtos destinados ao endurecimento das unhas.

A Resolução RDC nº 215, de 25 de julho de 2005, é a norma que estabelece a lista de substâncias permitidas e o limite máximo para cada ativo em suas formulações. Porém, mesmo que o fabricante obedeça a essa norma da ANVISA, em contrapartida a própria ANVISA não exige que o fabricante de cosmético informe ao consumidor, no rótulo do produto, o valor da porcentagem utilizada do ingrediente ativo.

Portanto, quando desejar fazer um alisamento, a saída mais sensata é encontrar um cabeleireiro experiente. Quem já fez muitas escovas progressivas, certamente conhece os efeitos dos produtos que utiliza.

Antes de fazer uma escova progressiva é bom estar ciente de que usar produtos químicos no cabelo tem prós e contras. As principais contra-indicações para fazer alisamentos são: gravidez, lesão no couro cabeludo e estar com algum tipo de tintura no cabelo. O cabelo pode ressecar, e algumas vezes, há queda de cabelo. A vantagem de fazer um alisamento é que o cabelo fica fácil de arrumar, e para quem não gosta do crespo natural do cabelo, a mudança no visual, valoriza a auto-estima.


(*) Ingredientes Ativos permitidos pela legislação e as suas respectivas porcentagens:

1 - Hidróxido de sódio
4,5% p/p


2 - Hidróxidos de Cálcio (guanidina)
7.0%


3 - Formaldeído
0,2% (Em vários estados a ANVISA já proibiu o uso dessa substância em cosméticos)

4 - Ácido Tioglicolato
11,0%

(*) Fonte:
Divisão de Bromatologia e Química.
Seção de Cosméticos e Produtos de Higiene. Instituto Adolfo Lutz – Central. Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (IAL/CCD/SES-SP). São Paulo.
Maria C. Santa Bárbara; Lígia L. Miyamaru


Ingredientes das escovas progressivas
encontradas no mercado para venda:


Cálcio Hydroxide - ativo com função de alisar o cabelo
e o valor da porcentagem não é escrito


Thiglicolic ácido - Também o valor da porcentagem não é escrito.